Contardo Calligaris fez um comentário sobre o projeto Cidade Limpa que me parece muito pertinente. Em relação a defesa apaixonada daqueles que querem São Paulo sem qualquer publicidade, ele diz:
É possível que a aprovação entusiasta da lei por muitos comentadores seja inspirada por princípios estéticos sóbrios e adversos ao “pop”. Essa discussão fica para outra vez. Mas suspeito que a iniciativa conte sobretudo com uma antipatia pela publicidade, uma ojeriza de bom-tom, que vê nos outdoors o símbolo (ou pior, a causa) de nossa frivolidade (e de nossa “massificação”, acrescentam alguns): tirem os outdoors e seremos curados de nossa vontade de cuecas de luxo, voltaremos a pensar em coisas importantes, belas e generosas. Ou seja, suspeito que odiemos, na publicidade, a futilidade de nossos próprios desejos. E a lei nos agrada com a ilusão de que exorcizamos, enfim, o consumismo (o qual claro, não é parte da gente, mas um demônio que nos possui). Parodiando o marquês de Sade: “Paulistanos, mais um esforço para sermos revolucionários”.
Este sentimento anti-publicidade é mais comum do que se imagina, e acho que Contardo diagnosticou bem sua motivação. Mas é importante dizer que o projeto Cidade Limpa não elimina a publicidade. Ele proíbe a aproximadamente 6.000 peças existentes em São Paulo para promover a licitação que prevê 14.000 faces de mobiliário urbano, de acordo com a última versão do edital.
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