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A réplica e o original

Este semana, vários blogs noticiaram a veiculação de uma peça em Londres onde um aplique na forma de uma saia de tecido foi instalado sobre um painel de uma mulher de calcinha, para que quando o vento batesse, o “produto” - o outdoor é de uma empresa de lingerie - ficasse a mostra.

Como outros blogs rapidamente destacaram, a peça não é original. Em 2005, na Nova Zelândia, a BBDO criou para a loja Bustop a peça abaixo, bastante conhecida pela repercussão que alcançou e que inclusive concorreu a vários prêmios.

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cv.jpg

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bustop.jpg.

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A questão pode gerar um bom debate. Já mostrei algumas destas coincidências criativas. Algumas delas parecem justas inspirações semelhantes, outras nem tanto.

As duas peças acima permitem pensar um pouco sobre a legitimidade de se revisitar, reler ou simplesmente reaproveitar uma idéia criativa num diferente contexto geográfico, ou de produto, ou conceitual. Na arte e cultura pop/contemporânea, vemos isto todo o tempo. No cinema, o excelente “Cousin, Cousine” de Jean Charles Tachella foi refilmado por Joel Schumacher (Cousins). Nikitta é outro exemplo. Nem vou falar das “atualizações”. Na música, os samplings e releituras são frequentes. O que torna o assunto tão delicado na publicidade?

Acho que em primeiro lugar está a questão do crédito ao autor original, quase nunca explícito. Crédito de autoria ou mesmo crédito financeiro. Nos outros exemplos, quando não há este crédito explicitado é infração de direito autoral. Mas será que clientes e agências estão dispostos a pagar por uma idéia extremamente vendedora, que já funcionou antes, aplicada em outro contexto? O quanto esta adaptação é original o quanto é uma cópia?

Vejam o exemplo da campanha da BBC e da Ariel:

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bbc2.jpg

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OD07_173.jpg

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Produtos diferentes, contextos diferentes mas com certeza a campanha de Ariel, ultra-premiada, inspirou a da BBC.

Os objetos reais movidos a pilha são quase um clichê na propaganda. O primeiro surgiu em 1986. Mas será que uma campanha que funcionou bem durante um mês há 20 anos nunca mais pode ser utilizada? As gerações futuras estarão para sempre privadas da idéia genial?

RSCG Paris (França) para Wonder - 1986

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bu2.jpg

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Loducca (Brasil) para Ray O Vac - 2000 - Short List Cannes

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Ogilvy (India) para Duracell - 2006 - Short List Cannes

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Como podemos ver, ou os festivais que celebram a criatividade também tem memória curta ou não se importam tanto com as coincidências criativas.

Continuo achando que a questão passa pelo direito-autoral, financeiro ou moral. No caso das pilhas, o mais grave é que concorrentes usaram a mesma idéia. Com certeza, uma violação de direito autoral, seja do anunciante ou da agência.

Bem, o debate está posto. Quem se habilita a dar o seu “pitaco”?

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