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Tecnologia controvertida

Tecnologia controvertida

A TruMedia Technologies lançou um software que filma as pessoas que passam em frente a um painel e pode reconhecer quem olhou para ele e determinar seu sexo e raça. A tecnologia gerou enorme controvérsia nos EUA.

O software foi desenvolvido para permitir que as empresas de painéis pudessem vender anúncios com base no target dos passantes. Mas a tecnologia é baseada num software israelense desenvolvido para filmar pessoas em locais de grande fluxo e comparar as características faciais recolhidas com um enorme banco de imagens de terroristas e suspeitos a taxa de 100 mil faces por segundo.

Diversas entidades de direitos civis americanas passaram a combater a tecnologia, apesar das garantias da empresa de que ela não armazena as informações recolhidas ou compara de qualquer forma. O problema é que o software permite. O que estas entidades temem é que a empresa acabe colaborando com o governo em determinadas situações, como já aconteceu com as empresas de telecom recentemente, que foram pressionadas pela administração Bush a compartilhar dados privados de seus usuários.

Na verdade, o problema não é da indústria de mídia exterior, mas da democracia americana, como ressalta o comentarista Erik Sass, do MediaDailyNews: “Os americanos irão concordar com o uso de tecnologias de reconhecimento facial por agências do governo e empresas privadas? Eles serão ao menos consultados? Na ausência de um debate real sobre a questão, é provável que o governo siga adiante para implementar estas tecnologias, tomando nossa complacência como consentimento.”


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Nem parece mídia exterior

André Lima, da NBS, jurado brasileiro de outdoor, falando ao Clube de Criação SP sobre o julgamento deste ano:

“O júri estava muito preocupado em selecionar para o shortlist aquilo que realmente tinha cara de Outdoor, e menos cara de peça adaptada de Print para competir em Outdoor. Muita coisa não entrou por não ter uma adequação à categoria, como títulos e textos com letras muito pequenas, enfim, inadequação”, comenta.

Para André, 50% das inscrições são adaptações de campanhas feitas para Print. “É preciso adaptar menos e criar especificamente para outdoor”, avisa.

Não poderia concordar mais. Mas mesmo com este cuidado do júri, diversas peças do shortlist e alguns Leões tinham exatamente esta característica. Se as peças foram veiculadas em canais que proporcionavam muito tempo da pessoa diante da peça, como postais, cartazes de banheiros ou de interior de ônibus e metrôs, funcionaram. Se não, foram uma grande idéia na mídia errada.


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Estagio na SINC

A Sinc está lançando um programa de estágio para contratar 21 novos estagiários que irão trabalhar nas áreas de Tecnologia, Mídia, Criação, Projetos, Atendimento, Arquitetura da Informação e Inteligência da Informação. As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de junho pelo site www.aprendaacoisacerta.com.br. Os pré-selecionados serão entrevistados pelos diretores de cada área e a lista de aprovados será divulgada no dia 14 de julho. No site, você encontrará O Guia Prático do Iniciante, que traz seis lições que o estagiário deve aprender para se dar bem no trabalho. De forma bem-humorada, mostra o certo e o errado de atividades como usar a copiadora, Flash, trabalhar em equipe, fazer um projeto, brainstorm e briefing. Boa sorte à todos

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Só para lembrar

“Não é mais um negócio de anúncios de TV, campanhas impressas e painéis. São mais de 200 coisas e lugares diferentes e oportunidades de começar uma conversa com os consumidores. Quanto mais diversificado o espectro da campanha, melhor você se comunicará.” José Cabaço, (novo) CCO Euro RSCG, North America

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Poluição visual existe?

Mais um projeto está tramitando na Câmara dos Deputados para restringir a publicidade. Agora é o deputado Edigar Mão Branca, do PV da Bahia, que propõem o fim da publicidade dentro dos aeroportos, alegando que estas publicidades geram poluição visual.

É preciso que as entidades da propaganda e especificamente da área de mídia exterior se unam contra mais uma ação contra a publicidade, e que combatam firmemente o próprio conceito de poluição visual.

Já falamos aqui várias vezes – cheque “poluição visual” na Busca – dando nossa opinião e mostrando a opinião de especialistas: poluição visual não existe. O que é ou não é poluição é determinado pela OMS. É um critério científico, que determina em que quantidade determinada sustância encontrada no ar, na água, no ambiente (ruídos em decibéis) é prejuducial a saúde.

A alegação de poluição visual é um julgamento estético do observador. Querer impor padrões estéticos por lei é um cerceamento claro a liberdade de expressão. Quem pode questionar se um deputado achar Guernica ou o Abaporu um caso de poluição visual? Lembro que quando um banco patrocinou a mostra de Picasso em São Paulo, há alguns anos, utilizando diversas empenas para reproduzir as obras da exposição, foi saudado por estar divulgando a arte. Quando as mesmas empenas voltaram a anunciar refrigerantes, roupas e automóveis, elas voltaram a ser poluição visual.

A publicidade é uma manifestação cultural contemporânea. Desde Toulouse Lautrec, passando por Andy Warhol e por diversos outros artistas, a publicidade foi e é, também, espaço para a arte. Quem duvida vá ver a exposição “A Cultura do Cartaz”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O que estamos vendo, com cada vez mais frequência, são novas iniciativas de restrição a publicidade. Neste caso, a poluição visual é o pretexto. Parece que há uma vergonha em aceitar que somos uma sociedade de consumo. O estímulo ao consumo é equiparado a apologia as drogas: deve ser combatido, restringido, controlado. O consumidor é uma pessoa sem qualquer discernimento, incapaz de tomar decisões, que precisa ser protegido pelos deputados – seres de capacidade superior – para não serem corrompidos pelos vilões do consumismo: os Nizan Guanaes, os Fábio Fernandes, os Washington Olivetto que controlam as mentes e os corações dos pobres e indefesos cidadãos, transformados em zumbis teleguiados em suas decisões de compra.

Seria cômico se não fosse trágico.


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