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Mais do que um comentário. Uma reflexão.

Racismo?

Painel em West Plains, Missouri, causa polêmica entre moradores da cidade, que debatem na seção de carta dos leitores do principal jornal local. Enquanto parte da cidade se sente envergonhada pelo conteúdo racista, outros dizem “Se eles podem queimar bandeiras, nós podemos nos manifestar assim”.

racismo Racismo? O site da mídia exterior


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Seis mandamentos de Alex Bogusky

Em entrevista para o imediaconnection, Alex Bogusky, deu 6 dicas para quem quer ser bem sucedido no mercado publicitário. Se serviu para ele, que virou uma das estrelas do mercado pelo trabalho de sua agência, a Crispin Porter+Bogusky, pode servir para outros.

1. Venda a solução e não os anúncios

2. Fomente a criatividade

3. Siga seu nariz e não dinheiro

4. Sempre diga a verdade

5. Olhe à frente mas não tão longe

6. Faça o que você gosta e não o que quer

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E por falar na sua marca…

Existe uma tendência cada vez maior de utilizarem a mídia exterior para gerar “buzz”, boca-a-boca e comentários entre consumidores sobre a marca.

Para entendermos melhor este mecanismo, fiz um breve resumo de um artigo de Richard Pinder, COO da Publicis Worldwide, publicado na revista Contagious.

Contágio não é apenas buzz. É uma forma de construir sustentabilidade para a marca através de de grandes experiências que façam as pessoas falarem positivamente sobre a marca. E muito antes de ser um fenômeno da internet, este já era um jeito original de construir marcas.

A regra do contágio é” mudar a conversação” e as marcas que fizerem isto melhor serão “líderes de conversação”

Oito regras para se destacar na Era do Contágio

1 – Você é parte da conversação, quer você a gerencie ou não

No passado, havia uma máxima de que de que cada consumidor insatisfeito multiplicava sua insatisfação por mais 10 pessoas. Agora ele multiplica para mais 10 mil, por causa da internet.

2 – Tudo o que você faz vira conversação. Não importa se é aquilo que você chama de marketing ou não. O que você saiba ou não.

Para agências de publicidade, isso significa que você não pode gerenciar conversações sem ter um ponto de vista para cada aspecto da experiência de produto do seu cliente.

3 – Mudar a conversação a seu favor é o que fará o seu negócio crescer

Marcas com maiores recomendações em sua categoria crescem 4 vezes mais rápido do que a média da categoria.

4 – A maior parte do que hoje se posiciona como buzz ou boca-a-boca é completamente irrelevante

É transitório e desconectado. Não muda a conversação. Ser comentado não é, por si só, uma proposta de valor.

5 – Você deve ser comentado em relação a coisa que realmente importem para o consumidor, e que mudam o rumo da conversação

Se não, é só blá-blá-blá

6 – Grandes marcas lideram a conversação adotando um ponto de vista que vai além da categoria.

(N.E. Aqui o exmplo é meu: Campanha Real Beleza, de Dove)

7 – O marketing tradicional pode mudar a conversação, mas para conseguir isto ele deve ser de alto nível.

Mesmo em 2008, a publicidade em Tv é a que mais gera conversação e mudanças em conversação. Mas quando for criar, não pense no spot, pense na conversação que começa depois do spot.

8 – Ações simbólicas têm imenso poder de contágio, se elas cristalizarem uma visão poderosa

Uma campanha para uma cerveja neozelandesa que ressaltava a importância da amizade e da cerveja, colocou um pub num barco e o enviou para a Inglaterra para que neozeandeses de lá pudessem se encontrar e tomar sua cerveja favorita.

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House agencies nos EUA

Artigo publicado no site da WARC comenta pesquisa divulgada pela ANA – Association of National Advertisers que revela que 42% dos anunciantes têm uma unidade interna responsável por publicidade.

O resultado incomoda as agências tradicionais, especialmente num momento de recessão que os EUA vem passando.

A justificativa dos clientes para esta tendência é basicamente econômica. Entre os serviços que estes departamentos prestam, destacam-se:

• Material para ponto de venda (displays e brochuras) (97%)
• Comunicação interana (82%)
• Videos internos (69%)
• Desenvolvimento de identidade de marca (66%)
• Mala direta (65%)
• Criação e manutenção de sites (65%)
• Criação de banners e outras criações on line “estáticas” (62%)
• Outros serviços: publicidade em TV, embalagem, otimização e marketing em seriços de busca marketing
• Além desses, 35% fazem o planejamento de mídia. Outros 24% fazem a compra da mídia
• Em 58% da companhia, estes departamentos se reportama ao departamento de marketing ou comunicações
• 17% dos departamentos tem budgets e metas de lucro

A pirncipal crítica as houses agencies é a deficiência no pensamento estratégico (61%). E metade dos anunciantes diz que idéias originais das equipes internas.


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O que é e o que não é mídia exterior

Saíram os ganhadores de outdoor de Cannes. Grandes idéias foram reconhecidas e premiadas, mas muitas das previsões que havia feito aqui se concretizaram.

Parabéns a todos os ganhadores, especialmente as agências nacionais, que trouxeram prêmios num ano especialmente difícil para a mídia exterior no Brasil. Mas, no balanço final, acho que os resultados foram ruins para a mídia exterior com um todo.

Quando as premiações internacionais decidiram criar a categoria outdoor, há alguns anos, foi um reconhecimento para a força do meio e uma constatação de que a criação para o meio tinha características diferentes do que as da categoria Press, onde as peças de outdoor eram inscritas anteriormente.

Com o tempo, agências do mundo todo começaram a inscrever peças tipicamente de press na categoria outdoor, para aumentarem suas chances de ganharem prêmios. Bastava inscrevê-las como posters. E, de repente, os posters passaram a ser o canal mais frequente em todas as premiações.

Pegando os ganhadores de Cannes, selecionei aquelas peças e ações premiadas que eram tipicamente outdoor, e comparei com o total de premiadas. Chamo de “tipicamente outdoor” peças que tenham visibilidade a distância (2 metros ao nível dos olhos) de todos os elementos que levem a compreensão da mensagem e que não demandem mais de 10 segundos para gerar compreensão. Vejam o resultado:

  • GP - 1/1
  • Leão de Ouro - 8/24
  • Leão de Prata - 20/52
  • Leão de Bronze - 18/71
  • Total - 47/148

Quase 70% das peças premiadas dificilmente funcionariam em campanhas out-of-home, mesmo indoors. Com muita boa vontade, talvez algumas delas funcionassem em canais com características de mensagens compulsórias, onde o consumidor é obrigado a ficar muito tempo diante da peça.

O ruim é que devem ter ficado no short list grandes peças de outdoor, que não foram premiadas. E muitas outras não devem ter entrado por conta de peças de press que ocuparam seus lugares. Aplicando este percentual as 5842 peças inscritas, quase 4100 não eram outdoor!
Além disso, sabemos que festivais são referências importantes. Premiando tantas peças com pouca eficácia na mídia, estamos passando a mensagem errada aos criadores. Sem uma referência correta, a qualidade dos trabalhos que vai para a rua fica comprometida. Já vemos isso nas ruas. Diversas peças de mídia exterior, especialmente abrigos, são adaptações mal feitas de campanhas de mídia impressa.
Espero que o rigor maior do júri, que foi cobrado este ano, conforme declarações do nosso jurado André Lima, da NBS, seja reforçado no próximo ano e em outros festivais, para que o talento e criatividade na mídia exterior volte a ser reconhecido e vá para as ruas, onde as peças devem realmente brilhar.


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Cannes 2008 - O que vai acontecer

Esta semana Cannes é o centro das atenções de toda a comunidade publicitária.  Como eu gosto de correr riscos, aqui vão algumas das minhas previsões sobre a mídia exterior:

Tendências:

Valorização da tecnologia

O reconhecimento a peças com utilização de recursos tecnológicos especiais deve continuar.  Lembram-se do cartaz com energia solar do ano passado?  Pois é.  Por aí.  Se por um lado isso valoriza a mídia exterior, mostrando sua enorme capacidade de integrar novas tecnologias, por outro superestima o poder de comunicação de peças que, do ponto de vista de mídia, geram mais buzz na imprensa especializada do que efetiva cobertura, frequência e recall para as marcas nos seus públicos-alvo.

Valorização do Ambient Marketing

Ações de rua, guerrilha e mokups integrados na paisagem, mais do que peças impressas, também devem ser sobre-valorizadas este ano.  Tudo em nome da “interatividade”.  Mais uma vez, estas ações são importantes por gerarem buzz e realçarem aspectos da “atitude” das marcas, mas precisam de campanhas tradicionais para impactarem de forma mais consistente os seus targets.

Cartaz x grandes formatos

Uma tendência cada vez maior nos prêmios recentes é a inscrição de inúmeras peças “eye level”, o tradicional cartaz.  Com layout mais próximo do anúncio de revista, estas peças exigem um maior tempo de contato e proximidade do público para funcionarem.  As peças de grande formato, com um forte “key visual” e de impacto e compreensão imediatas são minorias nos long e nos short lists.

Você viu?  Nem eu…

Essa não é nem mais uma tendência.  É uma realidade que se repete todos os anos.  Campanhas geniais, idéias fantásticas, peças incríveis inscritas e concorrendo que tiveram pouquíssima - vamos dizer assim - exposição nas ruas.  Será que é tão difícil convencer os clientes que estas grandes idéias merecem um plano de mídia mais audacioso?  Ou pelo menos um plano de mídia?

Zôos, Lojas de Fantasias, Lingerie

Estas empresas são fortes anunciantes e nenhuma agência grande pode abrir mão de uma conta destas.  Pelo menos é o que se deduz se olharmos as inscrições e premiações dos principais festivais publicitários do mundo.

Quem não paga não palpita.  E a criação arrebenta.

ONGs são os anunciantes dos sonhos dos departamentos de criação.  A qualidade criativa das campanhas para estes clientes é incrível.  Escolha o tema: Álcool e direção, AIDS, direitos humanos, aquecimento solar, preservação das espécies, desarmamento, paz.  Veremos grandes campanhas nesta categoria.

É isso.  Vamos ver se eu sou bom como pitonisa.  E pode ter certeza que os melhores de Cannes estarão aqui para você avaliar.



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A explosão do mercado de mídia exterior digital

O texto abaixo é uma tradução livre e reduzida do texto de Jay Mandese para o lançamento da nova publicação do Media Post´s, “Digital Outsider”.  Reflexões interessantes sobre o futuro da mídia exterior.

Esta pergunta é uma pegadinha.  Qual a maior plataforma digital para publicidade que também é a que cresce mais rápido?  Se você pensou em vídeo online você errou.  TV interativa?  Video games?  Vídeo em celulares?  Errado também.  A mídia que mais cresce com veiculação de vídeo digitais é a mídia exterior.

É natural que a mídia exterior não venha a mente quando as pessoas pensam em uma mídia digital dinâmica, mas a verdade é que a tecnologia digital esta tendo um efeito mais profundo na forma como as pessoas consomem mídias fora de casa do que na mídia domiciliares convencionais, como TVs ou computadores.  A razão é que estas tecnologias estão dando a mídia exterior com o seu já grande impacto, o som e o movimento que a televisão monopolizou por tantos anos.  Na verdade, as principais redes de televisão estão olhando as redes digitais de mídia exterior como a parte principal de sua expansão de 360º num mundo multi-plataformas.  E elas estão simplesmente seguindo o consumidor. 

A verdade é que as pessoas estão cada vez mais móveis e transitórias de que estiveram antes.  Esta é uma tendência que está fazendo o mercado publicitário avaliar com outros olhos não só as redes digitais de mídia exterior, mas todo este mercado.  E esta tendência esta criando expectativa que o share de mídia exterior possa dobrar os atuais 5%-6% de share do bolo publicitário em poucos anos.  A maior parte deste crescimento está vindo das tecnologias digitais, que permitem as agências e anunciantes atingir os consumiodores com mensagens publicitárias contextuais, em alguns do locais mais relevantes: os locais onde eles fazem compras, relaxam, se entretém e se relacionam.

Esta mudança é parte de uma profunda mudança cultural que começou muito antes da explosão das tecnologias de mídias digitais, que tem mais a ver com a evolução dos deslocamentos, estilo de vida e de mudanças no mercado de trabalho.  Um dos primeiros sinais desta mudança aconteceu quando, há alguns anos atrás, Martin Sorrel, CEO do grupo WPP, explicou na conferência de mídia da UBS como ele tinha reorganizado seus serviços de mídia indoor e outdoor em uma nova empresa chamada Kinetic.  Sorrel mostrou dados que demonstravam que o tempo que as pessoas despendiam fora de casa além do trabalho haviam crescido de 8% nos anos 60 para 18% nos dias atuais.

O melhor de tudo é que enquanto a tecnologia digital é uma ameaça ao modelo da maior parte das mídias, permitindo que os consumidores se afastem da publicidade mais intrusiva, ela está criando experiências altamente atrativas na mídia exterior.  Lugares onde os consumidores historicamente ficavam parados com pouco ou nenhum conteúdo disponível para se entreterem – com em refeitórios de academias, longas subidas em elevadores e mesmo em banheiros públicos – se transformaram em ótimas oportunidades para publicidade em vídeo.

No processo de consolidação que o setor está passando, várias fusões e aquisições vem ocorrendo.  A Gannet adquiriu a Captivate Network.  A NBC compro a Everywhere, que distribui vídeo desde táxis até aviões.  A CBS comprou recentemente a Signstore, uma das maiores e mais bem distribuídas redes de vídeos em lojas, e imediatamente mudou seu nome para CBS Outernet.  Um nome excelente, que vem alertar as pessoas da publicidade e investidores obcecados pela internet que a revolução digital também está acontecendo nas ruas.

O único obstáculo para este meio recém-nascido é definir os seus limites.  Dependendo da sua perspectiva a mídia exterior digital pode ser vista como Televisão, Outdoor, Online, Ponto-de-venda, Mídia Móvel, Cinema ou Experiencial.

Na verdade, o meio reúne elementos de todas estas mídias.  Este é um grande desafio da nova associação da categoria, a OVAB (Out-of-Home Video Advertising Bureau). E não é apenas um problema de definir o que o meio é, mas como ele deve ser medido, avaliado, comercializado e veiculado. 


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Poluição visual existe?

Mais um projeto está tramitando na Câmara dos Deputados para restringir a publicidade. Agora é o deputado Edigar Mão Branca, do PV da Bahia, que propõem o fim da publicidade dentro dos aeroportos, alegando que estas publicidades geram poluição visual.

É preciso que as entidades da propaganda e especificamente da área de mídia exterior se unam contra mais uma ação contra a publicidade, e que combatam firmemente o próprio conceito de poluição visual.

Já falamos aqui várias vezes - cheque “poluição visual” na Busca - dando nossa opinião e mostrando a opinião de especialistas: poluição visual não existe. O que é ou não é poluição é determinado pela OMS. É um critério científico, que determina em que quantidade determinada sustância encontrada no ar, na água, no ambiente (ruídos em decibéis) é prejuducial a saúde.

A alegação de poluição visual é um julgamento estético do observador. Querer impor padrões estéticos por lei é um cerceamento claro a liberdade de expressão. Quem pode questionar se um deputado achar Guernica ou o Abaporu um caso de poluição visual? Lembro que quando um banco patrocinou a mostra de Picasso em São Paulo, há alguns anos, utilizando diversas empenas para reproduzir as obras da exposição, foi saudado por estar divulgando a arte. Quando as mesmas empenas voltaram a anunciar refrigerantes, roupas e automóveis, elas voltaram a ser poluição visual.

A publicidade é uma manifestação cultural contemporânea. Desde Toulouse Lautrec, passando por Andy Warhol e por diversos outros artistas, a publicidade foi e é, também, espaço para a arte. Quem duvida vá ver a exposição “A Cultura do Cartaz”, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

O que estamos vendo, com cada vez mais frequência, são novas iniciativas de restrição a publicidade. Neste caso, a poluição visual é o pretexto. Parece que há uma vergonha em aceitar que somos uma sociedade de consumo. O estímulo ao consumo é equiparado a apologia as drogas: deve ser combatido, restringido, controlado. O consumidor é uma pessoa sem qualquer discernimento, incapaz de tomar decisões, que precisa ser protegido pelos deputados - seres de capacidade superior - para não serem corrompidos pelos vilões do consumismo: os Nizan Guanaes, os Fábio Fernandes, os Washington Olivetto que controlam as mentes e os corações dos pobres e indefesos cidadãos, transformados em zumbis teleguiados em suas decisões de compra.

Seria cômico se não fosse trágico.


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Gentileza

Homenagem da Mão Dupla ao poeta Gentileza, figura folclórica do Rio que escrevia poemas no pilares dos viadutos da cidade.

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Mudar para deixar tudo como está

O IV Congresso de Publicidade está chegando e a esperança de que o negócio da publicidade fosse finalmente discutido a sério já começa a ficar só na esperança mesmo.  As declarações das principais lideranças das agências se repetem num discurso ensaiado “que precisamos defender o modelo brasileiro”, “o nosso sistema é o que garante a qualidade da nossa publicidade” e outras pérolas do mesmo gênero.

Qual é este modelo tão veementemente defendido?  A remuneração por comissão da veiculação, a bonificação de volume e eventualmente, a troca de parte da comissão por um fee mensal.  Será que num cenário onde os investimentos em internet vão ultrapassar os investimentos em TV (na Inglaterra, em 2009), onde o break perde lugar para o conteúdo, onde a grande idéia criada pela agência tem tanto apelo para ser usada em um sem-número de aplicações fora das mídias tradicionais, este é realmente o modelo que vai garantir o sucesso e o crescimento do negócio nos próximos anos?

Este mercado a ser defendido é aquele onde, a cada concorrência, corre à boca-pequena as concessões feitas pelas agências para ganharem contas sem respeitar as normas do CENP.  É também o mercado onde, nos anunciantes, cada vez mais, as decisões de publicidade estão nas mãos de gerentes “pormim” – “por mim tudo bem, mas preciso consultar o chefe”.  Estes gerentes nunca podem dizer sim, mas sempre podem dizer não.  São os maiores defensores do status quo, do risco zero.  É também o mercado onde as negociações entre os fornecedores e os clientes de publicidade e marketing são definidas pelo mesmo departamento que compra o parafuso e o cafezinho.

É triste que o principal esforço das lideranças das agências na preparação do primeiro Congresso em 30 anos tenha sido a mudança do nome painel ‘O modelo brasileiro de remuneração das agências de publicidade’ para ‘A Valorização, a Prosperidade e a Rentabilidade da Indústria da Comunicação’.  Remuneração é uma palavra tabu.

No mundo real, a televisão aberta e a mídia impressa – que são as grandes financiadoras do sistema de BV – vão perdendo participação no bolo publicitário.  E vão sendo substituídas por mídias pulverizadas, que não concentram a mesma quantidade de “V” para poderem ficar distribuindo “B”.  Quando o mercado fala que “a linha acabou”, se referindo as expressões Below e Above te Line, ele está dizendo é que o ATL está diminuindo, e diminuindo rápido.  Em algumas empresas, o investimento na trinca TV/Jornal/Revista já perde para as outras mídias e as ações de promoção, ativação e para um crescente investimento na “presença web”, muito mais focada em conteúdo, virais, redes sociais, links patrocinado do que em banners.

O grande e principal trabalho das agências é a criação.  Não importa para que mídias, não importa se para o break, o conteúdo, a embalagem ou o conceito.  O modelo que precisa ser discutido e questionado, é o modelo que dá a criação de graça para ganhar dinheiro comprando mídia.  O modelo que entrega os direitos autorais de uma idéia milionária em troca dos trocados do BV.  O modelo onde uma agência cria o filme mais visto do YouTube e precisa passar ele na televisão porque o Youtube não é “mídia” no conceito tradicional do mercado.  O modelo onde a “big idea” desenvolvida por uma agência vai embora com a conta para outra agência que conseguiu 3% de desconto na negociação de mídia.

Peter Drucker diz que a melhor maneira de se prevenir para o futuro é criá-lo.  Fica a esperança de que a voz do mestre inspire os líderes e delegados do IV Congresso.


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